Preparação para a entrevista

Perguntas de entrevista para UI Designer (com respostas)

Uma entrevista para UI Designer avalia três coisas: sensibilidade visual, método de trabalho e capacidade de colaborar com a engenharia. Estas perguntas — técnicas, situacionais e comportamentais — ajudam a preparar respostas concretas para o mercado português. As respostas-modelo estão redigidas na primeira pessoa, como as diria um candidato.

Written & reviewed by the CVWon Editorial Team · Updated julho 2026

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Perguntas e respostas

Perguntas de entrevista e respostas-modelo

Prepare-se para estas perguntas frequentes com respostas-modelo detalhadas.

Porque é feita esta pergunta

Muitos candidatos confundem os dois papéis. O recrutador quer perceber se o candidato domina o foco visual da função.

Resposta-modelo

O UX define o problema, o fluxo e a arquitetura da informação; o UI dá-lhe forma visual — tipografia, cor, grelhas, componentes, estados e movimento. Na prática trabalho lado a lado com a equipa de UX: recebo os wireframes e transformo-os numa interface consistente, acessível e pronta para desenvolvimento.

Demonstre que respeita o UX sem se apropriar dele: o UI é o desenho da interface, não a investigação.

Porque é feita esta pergunta

O design system é hoje central no trabalho de UI. Revela maturidade e pensamento sistémico.

Resposta-modelo

Começo por auditar os ecrãs existentes e identificar padrões repetidos. Defino design tokens (cor, tipografia, espaçamento), construo componentes com variantes e auto-layout em Figma e documento o uso de cada elemento. A manutenção faz-se com versões, revisões periódicas e proximidade com a engenharia, para garantir paridade entre o desenho e o código.

Refira ferramentas concretas (Figma, design tokens, Storybook) e a governação do sistema, não apenas a sua criação.

Porque é feita esta pergunta

A acessibilidade é uma obrigação legal na Europa e um sinal de qualidade profissional.

Resposta-modelo

Sigo as WCAG 2.2 ao nível AA: garanto um contraste mínimo de 4,5:1, áreas de toque adequadas, estados de foco visíveis e independência da cor para transmitir informação. Testo com verificadores de contraste e com leitores de ecrã. Em projetos do setor público tenho presente o Decreto-Lei 83/2018 e o Ato Europeu da Acessibilidade.

Cite normas concretas (WCAG 2.2 AA, EN 301 549) e mostre que testa, não só que conhece a teoria.

Porque é feita esta pergunta

Mostra organização e a forma como o candidato colabora com a equipa.

Resposta-modelo

Parto do briefing e dos objetivos de negócio, estudo referências e o design system existente, exploro direções visuais, valido com protótipos e reduzo até uma solução coerente. No fim preparo o handoff: componentes organizados, especificações, tokens e notas para a engenharia, e acompanho a implementação para assegurar fidelidade.

Termine sempre no handoff e no acompanhamento — é onde muitos UI Designers falham.

Porque é feita esta pergunta

Distingue quem decide por critério de quem decide por preferência estética.

Resposta-modelo

Avalio-as face aos objetivos do produto, à consistência com o design system e à acessibilidade. Sempre que possível recorro a dados — testes A/B, métricas de utilização ou feedback de utilizadores — e não apenas ao gosto pessoal. A decisão tem de ser defensável perante a equipa e o cliente.

Ancore a resposta em critérios objetivos e, sempre que possível, em dados.

Porque é feita esta pergunta

O trabalho de UI é colaborativo e iterativo; a reação a críticas é determinante.

Resposta-modelo

Ouço primeiro e procuro o motivo por trás do comentário. Se o feedback melhora o produto, integro-o; se não, explico a decisão com argumentos de usabilidade, acessibilidade ou consistência. O objetivo é o melhor resultado para o utilizador, e não defender o meu ego.

Mostre abertura sem passividade: um bom designer justifica as suas escolhas.

Técnica

Que perguntas técnicas são feitas numa entrevista para Designer UI?

Conte com estas perguntas técnicas específicas da função durante a entrevista.

São valores nomeados que guardam decisões de desenho — cores, tamanhos de tipo, espaçamentos, raios de canto. Centralizam a identidade visual: ao alterar um token, a mudança propaga-se a todos os ecrãs e mantém a coerência entre desenho e código.

Defino uma escala tipográfica com poucos tamanhos e pesos, associo cada estilo a um uso (título, corpo, legenda) e guardo-os como estilos reutilizáveis em Figma. Assim evito exceções e facilito o handoff para a equipa de desenvolvimento.

Exige 4,5:1 para texto normal e 3:1 para texto grande e elementos de interface. Verifico com ferramentas de contraste integradas no Figma ou externas, ajustando a cor até cumprir o critério sem sacrificar a identidade visual.

O auto-layout torna os componentes responsivos: adaptam-se ao conteúdo e ao espaço disponível, mantendo os espaçamentos definidos. Um layout fixo exige ajustes manuais a cada alteração. O auto-layout aproxima o desenho do comportamento real em código.

Situacional

Que perguntas situacionais deve antecipar numa entrevista para Designer UI?

Cenários comportamentais e situacionais que poderá encontrar.

Priorizo: se o componente for reutilizável, desenho-o segundo as regras do sistema e proponho a sua entrada oficial após a entrega. Se for um caso isolado, crio uma solução pontual documentada, sinalizada como dívida de desenho para revisão futura. Comunico sempre a decisão à equipa.

Marco uma conversa para perceber a limitação técnica. Muitas vezes há uma alternativa que preserva a intenção visual com menor custo. Ajusto o desenho em conjunto, porque uma interface que não chega a ser construída não tem valor.

Faço uma auditoria de interface: inventario cores, tipos, botões e padrões repetidos. A partir daí proponho um design system mínimo e um plano de migração por fases, priorizando os ecrãs de maior tráfego para obter impacto rápido sem parar o produto.

Apresento os riscos com argumentos e, se possível, com dados ou um teste rápido. Proponho uma alternativa que concilie a intenção do cliente com a experiência do utilizador. Se a decisão se mantiver, documento a recomendação para referência futura.

Preparação

Dicas de preparação

1

Leve um portefólio com 3 a 5 casos de estudo e prepare-se para explicar o processo, não apenas o resultado final.

2

Reveja os fundamentos de acessibilidade (WCAG 2.2 AA, contraste, estados de foco) — é um tema recorrente nas entrevistas em Portugal.

3

Prepare exemplos concretos de design systems, componentes e handoff em Figma, com números de impacto sempre que existam.

4

Estude o produto e o setor da empresa antes da entrevista e traga uma observação ou sugestão de melhoria da interface.

5

Tenha uma resposta clara para a diferença entre UI e UX e para a forma como colabora com a engenharia.

Como responder: «Quais são as suas expectativas salariais?»

Pela minha experiência e pelo mercado português, considero adequada uma faixa entre os 2.000 € e os 2.800 € brutos mensais, pagos em 14 meses, para uma função de UI Designer com o nível de responsabilidade descrito. É um valor de referência que posso ajustar consoante o pacote global — modelo de trabalho, benefícios e evolução na equipa. Estou aberto a discutir os pormenores.

FAQ

Perguntas frequentes

Um processo típico tem 2 a 3 fases: uma conversa inicial com o recrutamento, uma entrevista técnica com apresentação de portefólio e, por vezes, um exercício de desenho ou uma conversa com a equipa. Cada fase costuma durar entre 45 e 60 minutos.

Sim. Muitas empresas pedem um pequeno desafio ou a apresentação detalhada de um caso do portefólio. Algumas propõem exercícios pagos ou com tempo limitado; convém esclarecer o âmbito e as condições antes de aceitar.

Deve indicar-se uma faixa realista para o mercado português (em regra em 14 meses), justificada pela experiência, e mostrar abertura para negociar em função do pacote completo. Pesquisar valores de referência antes da entrevista evita pedir a menos ou a mais.

Acontece, sobretudo em freelancing e em colaborações pontuais. Para funções permanentes, o contrato sem termo é preferível pela estabilidade e pela proteção da Segurança Social. Convém esclarecer o regime — e as implicações fiscais — antes de aceitar a proposta.

Vale a pena perguntar pela maturidade do design system, pela relação entre o design e a engenharia, pelo processo de handoff e pelas oportunidades de evolução. Mostram interesse genuíno e ajudam a avaliar se a equipa é a certa.

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